quarta-feira, 29 de outubro de 2014

WHAT TIME IS IT?




            
       A arquitetura de Londres chama a atenção pela combinação dinâmica do tradicional e do moderno. O sítio da cidade ajuda, com um rio grandioso partindo-a ao meio e duas margens que rivalizam em landmarks e extravagâncias. 
Na margem esquerda estão os principais monumentos e a maioria dos edifícios públicos, como o Parlamento, o Palácio de Buckingham, a Trafalguar Square e as vias comerciais mais movimentadas, como a Oxford Street e a Regent Street. 

O Big Ben visto do South Bank, margem direita do Tâmisa, na região central da cidade.

A margem direita,  tradicionalmente devotada à arte e à vida noturna, deu o troco nas últimas décadas e lá se instalaram o City Hall, a prefeitura, um edifício de vidro de forma oval, devidamente batido de The Egg, o London Eye, o “olho de Londres”, 
nome através do qual se popularizou a roda gigante chamada inicialmente de The Millenium Wheel e, last but not least, o The Shards, o edifício mais alto da Europa, com 87 andares e 300  metros de altura, agora visível de toda parte como uma espécie de torre de vigia.
The Egg, O Ovo, é a nova sede da prefeitura municipal.

 Há uma tendência ao superdimensionamento, ao hiperbólico, muitas vezes ao excêntrico. Que a cidade seja grandiosa explica-se, afinal foi o centro de um império planetário durante séculos. Quanto ao bom gosto, pode-se discutir, sobretudo quando a comparamos a sua arquirival do outro lado da Mancha, 
A Cidade Luz, de arquitetura baseada em linhas puras e dimensões harmoniosas, clássica como uma imagem de museu. Londres é mais subversiva e imprevisível, por isso mais excitante. Mais dinâmica também, com sangue urbano fervilhando nas veias.

A Catedral de São Paulo e seu relógio - viva o grandioso, mas o bom gosto é algo que se pode discutir.

Entre as excentricidades, destaca-se a obsessão por relógios. Desde o emblemático Big Ben, realmente muito bonito, sobretudo quando observado enquanto se caminha do South Bank até o prédio do Parlamento através da ponte de Westminster, passando pelo relógio de quatro mostradores da estação Waterloo,
 lugar tradicional de rendez-vous (“Vamos nos encontrar debaixo do relógio da Estação Waterloo”), até o magnífico mostrador em ferro trabalhado do relógio central da estação King’s Cross.
O centro comercial Canary Wharf, visto a partir do relógio do Observatório Greenwich.

Estações e locais públicos importantes devem realmente ter relógios. Mas, admitamos, os ingleses adoram esses símbolos de pontualidade e respeito aos compromissos mais do qualquer outro povo. 
Chama a atenção a mania de pendurá-los na fachada de prédios ou espetá-los no alto de colunas e postes, sem outro propósito explícito além da decoração.  

"Vamos nos encontrar debaixo do relógio da Estação Waterloo". Não tem erro.

Em Londres, você pode até perder a direção, mas jamais perderá a hora. Nem sequer se faz necessário perguntar “What time is it?” – basta observar em redor para ter a resposta. 
Os relógios da cidade são como olhos que velam sobre os que compartilham as ruas congestionadas. Indiferentes? Talvez.

Coluna de Nelson na Praça Trafalgar. Está faltando o relógio.


            

2 comentários:

  1. Você é um ótimo guia turístico, Abrão.
    Cativante o texto. Vontade de conhecer a cidade!

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  2. Das cidades que conheço, é minha favorita. Grande porém civilizada, cara mas irresistível, excêntrica contudo amigável.

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