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MENTIRAS, MENTIRAS, MENTIRAS

Este mundo está cheio de mentirosos. Onde vamos parar? Conto aqui apenas alguns casos plausíveis e menos risíveis, pois as mentiras cabeludas estão nos jornais e nos noticiários de TV e são consumidas avidamente por milhões de cínicos. E por falar em cínicos, o que seria do mentiroso sem o justo apoio da parcela da humanidade que adora enfiar o pé alheio na lama? O mundo certamente andaria para trás e sem nenhuma contribuição dos menos avisados. Antes, os pais do Joãozinho queriam que ele saísse da frente da TV, agora se enervam porque ele só desgruda do computador para logar no smart e vice-versa. E não há nada que irrite mais os pais do que filho que não desgruda da telinha – isso é um direito exclusivo dos adultos, pensam. Passar o dia inteiro de olho no whatsapp para conversar abobrinhas com os amigos distantes enquanto despacha no escritório é coisa perfeitamente normal. Depois, é a mãe quem deve fazer as vezes de viva voz para o Joãozinho: - Vá escovar os dentes e depois tomar banh…
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1959

Entre os números cabalísticos não consta o 59. Seria ele um número qualquer, como 1016 e 21, desses que se habilitam a saltar de bungee jump, andar de monociclo na corda bamba e outras aventuras radicais só para sair do ostracismo? Muitas evidências indicam que não, 59 é um coroa robusto e com muitas histórias para contar. Por exemplo: meu pai tinha fixação pelo ano de 1959. Tudo de grave e impressionante para ele tinha acontecido nesse ano. Falava da grande enchente de 59, do fim da guerra (não sei a que guerra ele se referia), da copa de 59 (meu pai era torcedor do Bahia, e, para ele, a conquista da Taça Brasil daquele ano correspondia a uma copa do mundo). Mais tarde eu tentei corrigi-lo, afirmando que a copa tinha sido no ano anterior. Foi como tentar convencer um camelo a passar pelo buraco de uma agulha.             A calça comprida e a bermuda já tinham se tornado itens comuns no guarda-roupa feminino e atraíam olhares nas capas das revistas e nas ruas. O pintor Cândido Portina…

MAGA PATALÓGIKA E O ORGASMO ATÔMICO

Até que enfim explicaram a explosão da bomba de Hiroshima, um dos segredos mais bem guardados da humanidade, mais inviolável do que, digamos,  o cinto de castidade. Foi um grande avanço para a ciência experimental, nos limites da science fiction, da animação cinematográfica e da física nuclear.             A Maga em questão é mesmo a bruxa dos gibis de Walt Disney, obcecada pela moedinha número um do Tio Patinhas, mas que sempre leva chumbo do velho sovina. Só mesmo um gato agourento e dois corvos ligeiramente néscios, altamente malévolos, o Laércio e o Perácio, igualmente péssimos piadistas, para tolerar a megera. Ainda que a Maga não seja de todo má, é esbelta e ágil – sopa de morcego com pimenta malagueta? –, tem olhos verdes faiscantes e sabe cavalgar uma vassoura como ninguém. Agora descobriram o poder secreto daquele inebriante quaac! que ela solta toda vez que se dá mal.             Convidaram os professores Pardal e Ludovico para chefiar uma série de experiências destin…

CAI O QUEIXO

Neusa Santos 27 de dezembro às 05:58 ·  Bom dia , Matutina !


Para começar, uma nobre verdade: não conheço a Neusa. Pelo menos, não pessoalmente. Não se trata de uma ex-colega de faculdade, de alguém que virou celebridade de um minuto através de milhões de likes, eu a encontrei no perfil de um amigo e ela acabou se tornando também minha “amiga”. Fora isso, nunca a vi mais magra, a não ser nas selfies do Facebook. Mas como final de ano é uma época para mensagens altruísticas e não coisas do tipo “vejam minha ceia de Natal, gente como estou magra! Este é o meu bebê”, escolhi a Neusa como leitmotiv desta crônica, pois ela fala com o coração repleto de sinceridade.             A considerar por suas postagens, a rotina da Neusa começa bem cedo. Com os raios da manhã brilhando ao fundo da serra, eis sua selfie matinal: “Bom dia, Matutina!”. Sua cara de pera de vez e seus olhos vivos aparecem então na foto, muitas vezes com seus instrumentos de trabalho ao fundo, pois a Neusa é gari na cidadezinh…

Era como minha mãe o chamava, além do tio Rosentino, como um apelido de família, conhecido de poucos, desses que tendem a desaparecer com a geração. Depois de desaparecidos pais, tios e primos, vai-se a memória de todo um grupo, com suas histórias e seu vocabulário. Foi o que aconteceu com o codinome Lê, um acrônimo para Lacerda, aqui nestas linhas resgatado pelo bem de uma dúzia de herdeiros e igual número de leitores.             Sendo um nome pronunciado por apenas duas pessoas, poderia ter um número limitado de nuances e conotações. Mas esta pode ser igualmente a fonte de um mistério ainda maior, digamos um segredo muito bem guardado ainda por vir à tona.             Lê acordava muito cedo, antes das galinhas, porcos e vacas que estavam no centro de suas preocupações, assim como os preguiçosos (segundo ele) que só queriam saber de comer e dormir além do necessário. Lê estava errado, naquela casa todos trabalhavam, do menorzinho até o mais graúdo, consoante o velho dita…

E AGORA, COM VOCÊS, O ATRASO

Chega de orange, o atraso é o novo black,  assim, sem papas na lírica, sem calos nas cordas vocais, sem falso pudor de trazer para a frente do picadeiro essa compulsão recente pelo retrógrado, quadrado e tacanho. A TV mostrou, o congresso aprovou, o STF bateu o martelo, não vai poder mais ter peito, piadas e ironias, necas de checas e pintos, só bandas sertanejas, sexo é coisa de canibais. Não se olhe no espelho e tome banho de cinto de castidade, veja na tv do bispo os documentários bíblicos, catástrofes, tsunamis, mortes por bala perdida também valem  pra baixar a libido. Achava que tínhamos evoluído depois dos hippies, yuppies e hipsters,  que todo mundo ia dar de pau na federal e cheirar talco em Miami e Las Vegas? Não tem plano B, C ou H, chega de conversa mole, vamos direto ao atraso.             Como vão nascer os bebês? Em sacos tipo preto lixo ou amarelo padaria ou dentro do saco amniótico, frágil e translúcido? Bota pra tocar aquela banda debochada dos anos 80, qu…

DE LISIANES & EUNICES

O tempo é um dos deuses mais lindos, segundo a expressão cunhada por Caetano Veloso na canção “Oração ao tempo”. Sendo assim, ele tem a prerrogativa de construir e destruir na mesma medida, dependendo da perspectiva de cada um. Quem valoriza o próprio patrimônio, tem vida ativa e feliz, quem se entrega às circunstâncias, pode sofrer acidente fatal na curva do futuro. Enquanto adepto das formas perfeitas e das boas colocações pronominais e físicas, deixo aqui o meu protesto contra o desleixo de algumas mulheres que conheço.             A começar pela Lisiane. Quem te viu, quem te vê. Até outro dia, era um verdadeiro regalo para los ojos, combinação perfeita de tornozelos, pernas, quadris, torso e nariz apontando orgulhosamente para o céu; triunfava sem esforço sobre o trabalho modesto de vendedora; dava-lhe caráter e distinção; sonhava e fazia sonhar entre computadores, teclados e mouses...             Mas eis que desleixou pra valer, e isso no auge dos vinte e poucos anos, …