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Mostrando postagens de Agosto, 2017

MORRER!

A espécie humana evolui, a cada dia são incorporadas novas conquistas científicas e tecnológicas. Mas não abandona de todo os instintos dos tempos das cavernas ou dos gladiadores. Inteligência e estupidez não são incompatíveis, elas atuam lado a lado, e, quando a segunda predomina, é bomba!, costuma provocar acidentes e mortes nas estradas. Na Grécia Antiga, morria-se aos 25 anos, pois (quase) todos os homens válidos tinham que defender sua cidade e conquistar outras, através da guerra. Hoje a expectativa de vida ultrapassa os 80 anos, a morte demora a chegar. Uma vida assim pode ser longa demais para alguns, é natural que venha o desejo de encurtá-la.
Uma das formas mais eficientes para se morrer subitamente é ao volante de um automóvel.No trânsito, há aqueles que acham que devem andar mais rápido do que os demais, mesmo indo ao mesmo lugar. Outros se consideram ases, velozes e furiosos, mesmo quando a velocidade média não ultrapassa os 40 quilômetros. E dá-lhe buzinaços, fechadas, ul…

COGUMELOS AZUIS

 “Zebu morreu, ele se fudeu, cogumelo é meu!”
Ventania
            De tempos em tempos, é preciso pingar colírio alucinógeno, usar lentes caleidoscópicas ou tomar cachaça no gargalo. Depois, fugir pras montanhas, quem sabe recuperar um pouco do tribalismo primitivo inerente à espécie. Tem festa no interior, tem lua cheia. Tem bandinhas tocando na frente da igreja desde o meio da tarde. E, quando a noite cai, promissora e fria, tem carreata da santa, sem andor, mas em cima de uma caminhonete. E tem salvas de fogos!              A fogueira é acesa no meio do largo para aquecer o coração de crentes e pagãos, citadinos & locais. Barraquinhas de comidas e bebidas, um palco, estrategicamente montado ao lado da igreja, compondo a aliança indissolúvel entre o sacro e o profano.  O uniforme branco do congado brilha à luz do fogo,  tambores secos ressoam pelo largo, pelas casas rasas, bate na serra, espalha-se. O cortejo entra na igreja, atrás da porta-estandarte, os tambores se calam, o padr…