segunda-feira, 8 de setembro de 2014

DENTES PRA QUE LHES QUERO!





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            Tem uma expressão francesa de que gosto muito: “Croquer la vie à belles dents.” Significa viver intensamente, desfrutar da vida como se tivesse fome, mordê-la literalmente, coisa que só fazemos à mesa do almoço. 
            Os dentes são nossa vitrine para o mundo, têm mil e uma funções, inclusive estética. Mas custa caro mantê-los brancos e reluzentes, harmônicos como o teclado de um piano. A maioria de nós tem pequenas ou grandes imperfeições, coroas, próteses, implantes, obturações, pontes, roachs, dentaduras e dentes sisos. Antigamente, quando começavam a doer, eram logo extraídos e ficávamos com uma horrível sensação de incompletude, tão vasta quanto a vergonha de abrir um sorriso banguela. Mas, ainda hoje, com recursos suficientes para transformar qualquer draculina em uma modelo de propaganda, os problemas abundam. Que diria algumas de minhas amigas!
A Margarete quebrou o dente comendo pão. Fizeram um revestimento bonitinho e ela foi pra festa de casamento da irmã, com garantias de que “não se soltaria.” E não é que se soltou?
            A Zanilda estava outro dia mais triste do que os eleitores do Aécio:
            - Que foi, mulher!
            - Umm-umm!...
- Desembucha!
- A “xaqueta”...
- Você está com frio neste calor?
- Nããã... Meu dent’...


A jaqueta tinha se soltado e ela viu-se em plena rua tapando a boca com a mão, como se tivesse acabado de assistir a um discurso da presidente Dilma.
Com um dente novo a dois mil reais, ela protelou o tratamento o quanto pode e teve de conviver com seu incisivo soltando-se em fila de banco, chá com as amigas e... banhos de mar...
Pobre Zanilda, e vejam que tem casos piores.
Tem o truque do corega, aquele produto para fixar dentaduras (cola tão bem a resina na gengiva que você tem a impressão de estar comendo os próprios dentes) e base de unhas, segredo revelado ao pé de ouvido. A Zanilda tentou os dois, e foi assim que resistiu até poder pagar a conta do dentista.
Caso pior foi o da Svetlana, moça fina, um chuchuzinho. Dessas que suscitariam uma invasão estrangeira. Ela é intérprete e vive de boca em boca, devolvendo em russo o que ouve em português e vice-versa. Da boca da Svetlana jamais poderia cair um dente – mas caiu.
Não de repente, pois não era mais dente de leite. Originou de uma cárie mal obturada, dos tempos em que ela morava em um vilarejo russo. E aí veio a visita do cônsul.
Um cônsul russo é coisa rara de se ver, portanto a visita foi hi-per-im-por-tan-te. Lá estava Svet no meio de uma pergunta, quando – Putin! –o dente soltou-se.
- ?
- !
- Г-жа проходит хорошо?
“A senhorita está se sentindo bem?” Os assessores entreolharam-se,  Svet “passou “ mal, foi levada ao banheiro, ficou sozinha e colou o maldito dente – com esmalte, e aqui entrego definitivamente a Svetlana, pois foi ela quem revelou o truque.
Hoje ela tem um definitivo perfeito, em harmonia com o resto do corpo.
O dente definitivo é um divisor de águas na vida de muita gente. Leiam a história de Ivonete, a última e mais dramática:

www.eveningtimes.co.uk
Era o aniversário do filho da Ivonete e ela estava super-atarefada. Para piorar, o tratamento de dente atrasou e ela ficou usando um dente temporário mais tempo do que desejaria. Resolveu relaxar e até aprendeu como fixar a prótese quando esta descolava - por exemplo, durante a escovação. Depois ficou ainda mais prática: passou a retirar o dente ao fazer a higiene.
Os convidados iam começar a chegar, ela tinha que se apressar. Aí, raios!, o dente caiu dentro da pia.
Zup! Sumiu.
Ivonete entrou em pânico, e agora, o que ela ia fazer?
O que eu faria, o que você faria?
Ivonte pegou o celular e ligou pro marido.
- Meu dente caiu dentro da pia!
- Fique calma, eu posso pegar pra você.
- Então, vem logo!
O marido trouxe as ferramentas, desmontou a mangueira, abriu o sifão e lá estava o molar, misturado com fios de cabelo e otras cositas más...

Depois de lavado, fervido e higienizado, voltou pro seu lugar... devidamente colado com goma de mascar!

©
Abrão Brito Lacerda
06 09 14


Um comentário:

  1. Foi bom pra dar uma relaxada, Abrão! Todos temos umas histórias com eles.
    Grande abraço!

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