segunda-feira, 30 de junho de 2014

CONVERSA DE ÍNDIO E MULHER BRANCA



                  Tam! Taram! Tam! Antes de instalar a lei da selva, índio enviou mensagem à presidenta: “Querer é poder, diz homem branco. Indio quer, índio pode. Igualdade entre povo tapuia e os pelotudos” (era assim que se referiam aos homens brancos). Manifestaram-se diante do congresso nacional e nos estádios de futebol, dançaram o huka-huka, pintados para a guerra.
         “Indio quer falar com homem branco nas terras do povo Xamainam”. Não respeitavam Brasília e seu Lago dos Cisnes, por isso a conversa aconteceu no Parque do Xiang, próximo a Manaus (informação que pode ser facilmente verificada em um mapa).
         O grande cacique branco levantou o cetro da sabedoria:
         - O quê índio quer?
         - Indio qué muié.
         - Não pode ser espelho, um ap. de dois quartos, um... honda civic?
         - Não. Tem que ser muié.
         - E por que índio que nunca comeu queijo agora quer goiabada?
         - Indio chegou primeiro. Antes do homem branco, índio já comia fruta das matas.
         - Mas nessa época as matas eram virgens.
         - Indio vai fazê sarapaté se num ganhá...
         - Só tem um problema: branco também quer.
         E foi aí que criaram a Lei do Penalty, a Lei da Previdência e a Lei da Selva.


         Povo Tapuia não ficou satisfeito, sentiu-se enganado. Convocou todas as ONGs internacionais para uma rodada de protestos contra o racismo dos brancos, porque índio quer mulher branca, assim como os mulatos e os cafusos.
         - Vamo protestá e ixigi suspensão da Constituição. Queremos direitos de índio na Constituição.
         - Abaixo a Constituição! Nenhum deputado índio escreveu a constituição!
         - Nenhum deputado de Caxias, também!
         - Cala a boca, pelotudo! Isto aqui é protesto de índio!
         - Protesto contra esse protesto de índio!
         Ordem! Senão não consigo continuar esta história!
         - Abaixo o PT! Partido dos Tapuias!

         Vramm! Vramm! Vramm! Os tambores de guerra soaram na Esplanada dos Mistérios. Armados com seus mais efetivos dissuadores, como sacos de pulgas e jacarés famintos do Araguaia, os tapuias investiram contra o senado pelotudo, obrigando a presidenta a fazer manobras de emergência para segurar-se ao poder:
         - O quê índio quer? - indagou a presidenta, em seu tom firme e dissuasivo.
         - Indio qué – começou grande cacique Atabaque –, índio qué...
         - Indio quer o quê? – repetiu a presidenta, impaciente.
         Grande cacique Atabaque mirou a presidenta e gaguejou:
         - I-indio...  não qué muié...



©

Abrão Brito Lacerda
atualizado 13 07 16

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