terça-feira, 24 de setembro de 2013

FUXICOS


 
(Imagem original: ahappylass.com)
  Acho que, salvo um ou dois defeitos, a humanidade tem jeito e progride decididamente em direção a um futuro brilhante de compreensão e tolerância. As únicas guerras a persistirem no futuro serão por motivos fúteis, como disputas pelas riquezas dos territórios, divergências políticas e religiosas, ou mesmo a cor da tinta para se pintar o nariz nos dias de votação do congresso nacional ou julgamento do STF (Suprema Tolice e Falácia). Haverá também guerras de nervos entre os partidários de diferentes torcidas, sem esquecer as guerras de audiência que farão os estúdios de TV parecerem sucursais do zoológico.
    Hoje em dia dá no mesmo ser ignorante, sábio, vesgo, sacristão ou senador. Na fila do Disneyworld somos todos iguais. Tenho uma amiga que adora fazer compras em Miami, já virou mania: tá deprê, avião pros States; sai de férias, avião pros States; precisa de uma cortina nova, avião pra Cubatão. Já lhe disse inúmeras vezes que São Paulo é a mesma coisa que Minas Gerais, com a diferença do sotaque. Na terra das duplas caipiras, a palavra “irmão” é trissílabo pois é pronunciada “i-Ri-mão”, com a língua vibrando entre os incisivos. Tem até top model falando assim.
        Em que estado anda a nação? Minas ou São Paulo, tanto faz. Outro dia, liguei a televisão e deu que em Brasília o STF (Suas Sapiências do Trono Feudal), tinha efetuado o enterro da justiça brasileira em uma solenidade solene. Os ma-gis-tra-dos, de toga, cetro, espada, bíblia e outros aparatos cômicos, declararam que “é ridículo o ponto a que chegamos. Esta corte, do alto de sua pompa, se auto-dissolve e doa suas dependências à creche Casinha de Bonecas".
     Desliguei a TV porque a conversa das vizinhas parecia bem mais interessante. Vejam o que ouvi das fuxiqueiras:
            - A Margot acaba de chegar de mais uma viagem internacional.
            - Aonde foi desta vez?
- Foi a Dubai. Jantou no 168º andar do Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo.
            - Nossa, que máximo!
            - Acontece que um sheik queria trocá-la por quinze camelos.
            - O marido aceitou?
            - Não. Ele pediu trinta camelos.
      A outra espevitada não quis ficar para trás, não sei de onde tiram tanta imaginação:
            - Meu primo Itamar Motta decidiu se casar com uma portuguesa.
            - Não diga! E quem é a noiva?
            - Uma tal de Paula Tejano.
            - É como diz o ditado, “jacaré no seco anda, tatu no seco mora”.


(Imagem original: ahappylas.com)

            Fechei a janela, não estou acostumado a esse tipo de linguagem. Pensei em uma forma desesperada de encerrar esta crônica e me veio a ideia do no vote. Ninguém votaria por um período de dez anos pra ver no que dava. Não me deram ouvidos. Pensei em beber, quebrar vidraças ou sair com as sirigaitas. Mas meu fígado, a polícia e minha mulher não concordariam com isso. A única solução foi: correr!
            Corra o mais que puder, corra mais que as pernas, corra descalço ou de calças, só não fique parado porque o Temer, o bancada evangélica e a Lava Jato te pegam!
            Deu certo. Quando virei na esquina, já estavam todos correndo: os escoteiros-mirins, a torcida uniformizada da associação dos aposentados, o homem de ferro, as babás com seus carrinhos, Tom e Jerry, a nova miss Brasil, repórteres de TV e cameramans, fiscais da receita, assaltantes e suas vítimas, a minha dentista, doutora Letícia!
            - Doutora Letícia, o que a senhora está fazendo aqui?
            - Estamos indo pra Brasília. Vamos fazer levitar o STF, a Câmera, o Senado e o Palácio do Jaburu.
            Então, leitor, levante dessa cadeira e corra! Os hippies não conseguiram fazer flutuar o Pentágono, mas nós faremos voar pelos ares a Esplanda dos Ministérios. Não sobrará pedra sobre pedra no planalto central.
              Yes, we can!
©
Abrão Brito Lacerda
24 09 16



                        

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