segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

PAPO POPULAR




Passei o ano de 2014 falando de minhas amigas, agora vou falar de alguns amigos. Afinal, homem também é importante, como dizia a Mae West, aquela que se casou 11 vezes. Não é porque a mulher cria e procria que vamos esquecer a outra metade da humanidade. E como estas são histórias verdadeiras, qualquer semelhança com pessoas bem vivas não será mera coincidência.
Meu amigo José Roseira é o cara. Artista dos mais populares na rede, é difícil você se destacar entre os milhares que o seguem. Ficou até sem graça dar um “like” para a foto que ele acabou de postar, você se apressa com o dedo indicador, não precisa ser o primeiro, o quinto já bastaria, e aparece aquela mensagem: “Você e outras 598 pessoas curtiram isso.”
Já o Plácido Domingues é um injustiçado. Todo dia milhares de pessoas ao redor do mundo o confundem com o famoso tenor espanhol e visitam sua página. Mas ninguém deixa comentários, ninguém “like”. Ele até virou cantor em um coral e tem refinado seus comentários sobre política, filosofia, medicina chinesa e hologramas bifásicos. Sua companheira e mais três amigos curtem, e só.

(imagem: www.sul21.com.br)

E tem o Anacleto Bolivariano, acho que todo mundo tem um amigo assim, e não é defeito. Ele cruza os ares de norte a sul dando palestras sobre a cor da gente injustiçada pelas elites corruptas deste país. É contra o aburguesamento das novas classes, essa coisa de negão querendo casar com loira não é com ele. Mas pode mudar de opinião se o cachê for bom.
Nem sequer publicar um livro virou prova de que a pessoa tem algo a dizer. Pode até ser o contrário. O Robério perdeu metade dos amigos depois que passou a anunciar seu livro na rede. O único comentário, supostamente positivo, veio em uma língua que ninguém deste lado do mundo consegue entender: 一个人如何抓紧时间这样的事情!
E tem gente que critica a falta de cultura, essa coisa pré-bolivariana. Estamos numa época em que todos precisam comer, e aí não sobra cultura para todo mundo, sabe como é, feijão pouco, meu caldo de cultura primeiro. A fome é tanta que estão comendo as letras, “você” virou “vc”, “Eu te amo” agora se escreve “β → ∆" e, pasmem, a cultura brasileira perdeu o “l”, agora se escreve "cu..." Desculpem, recuso-me a chegar a tal nível só por um “curtir”. Não mesmo, prefiro me mudar pra Miami!
©
Abrão Brito Lacerda

03 01 15
(imagem: www.techtudo.com.br)

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