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EU TOMO ALEGRIA!

(Foto: Estado de Minas) Uns tomam éter, outros cocaína. Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.       (Manuel Bandeira, Não sei dançar )             Há muito tempo BH não via uma festa assim, há uma geração pelo menos. Tomar as ruas, praças e avenidas, reconvertê-las em espaços de encontro e convivialidade representa uma verdadeira revolução em uma cidade que foi obrigada a conviver com os congestionamentos e a insegurança – e a reclamar deles, como se se tratasse de uma praga irreversível. E eis que, de repente, mas não por acaso, os bhzontinos se descobrem semelhantes e cooperativos ao invés de individualistas e competitivos, e descem às ruas para o carnaval, transformando a cidade em um grande salão de festa para todas as idades.             A popularização do carnaval de rua de Belo Horizonte é uma realidade. Boa organização e inf...

MINHA CASA, MEU ENTULHO

            A sujeira está em toda parte. Em Brasília, onde a lama ultrapassou o nível das torres gêmeas do congresso, toma-se banho de fedência e dança-se ao ritmo da podridão. O gosto nacional pelo lixo é tamanho que, ao se construir um prédio, é criado simultaneamente o entulho que acolhe os restos da construção: concreto, papel, plástico, metal, além dos rejeitos líquidos e sólidos dos humanos.             Somos um exemplo civilizatório a ser combatido de um povo que limpa a casa para sujar a rua - e não sente nenhum constrangimento por isso. E, longe de se tratar de um comportamento de determinada classe, é uma verdadeira epidemia, como a dengue, a febre amarela e o Big Brother.             Com o objetivo de dar minha modesta contribuição às avessas a essa falta de vergonha geral, apresento a seguir o estado da...

NA TERRA DA FANTASIA COM IARA ALVES

            Iara Cardoso Alves de Belo Horizonte é uma “veterana” no campo da literatura infantil com mais de uma dúzia de títulos publicados, cobrindo leitores da primeira infância até o infanto-juvenil.             Imaginação abundante e “loufoque”, com coisas e situações fora do lugar, se organizando na forma de um bric-à-brac, constituem o fio narrativo. As histórias terminam mas deixam sempre a impressão de que poderiam continuar.             O jeito loufoque permite a Iara se colocar facilmente na pele de uma criança ou de um animal e imaginar traquinagens à beça. A rainha Victória, do livro homônimo, adora aprontar a zorra em seu próprio castelo, onde todos, a começar pela própria rainha, além do príncipe Boulevard, do Conde Ferdinando e da princesinha Tainah são malucos a valer:    ...

HOME IS A QUIET PLACE

                           Além dos acidentes naturais, como oceanos, selvas e geleiras, o mundo está cheio de barreiras humanas que nos impedem de ir aonde nos der na telha.   O homo sapiens, assim como seu primo pobre, o homem de neadertal, não teria ido tão longe hoje quanto no longínquo passado. No entanto, mudar,  experimentar um pouco da liberdade que indígenas, beduínos e ciganos transformaram em um estilo de vida constitui uma  das melhores coisas da vida.             M esmo em um quarto de hotel buscamos  reconstituir um ambiente, uma a tmosfera, um lar  - a quiet place.  © Abrão Brito Lacerda 22 01 17

O BOTÃO

(Foto: carrodebolso.com.br)              As estatísticas mostram que as mulheres dirigem melhor do que os homens. O problema é que, enquanto o homem considera o carro um membro da família, com suas peculiaridades (lonas de freio, óleo do cárter), a mulher só se importa em virar a chave e pegar a rua. Até que, um dia, alguma coisa acontece e então ela é obrigada a descobrir que a tal da rebimboca da parafuseta realmente existe.             Assim como a junta homocinética, uma peça do carro que fica entre a roda e o eixo, transmitindo o giro do motor (cinética) para as rodas. Quando ela se desgasta, de duas uma: ou é por exaustão ou então é porque a suspensão está comprometida. O jeito é verificar tudo, o que é fácil: o mecânico suspende o carro com o uso do elevador e testa as buchas, pivôs, amortecedores e rolamentos. O que sacudir ou fizer barulho, fired! , está despedido.  ...

UM POEMA DE FRANCE GRIPP

            France Gripp é uma professora e poeta natural de Governador Valadares, no leste de Minas Gerais. Seu primeiro livro foi a coletânea Eu Que me Destilo , lançada em 1994, na qual o gosto da autora pelo verso apaixonado e “côncavo”, quase barroco não fosse pós-moderno, se evidencia.  Depois de uma incursão pela literatura infanto-juvenil que lhe rendeu dois livros, eis que Francirene (seu nome de batismo) retorna à sua praia natural, a poesia, com outra coletânea, Coração Incendiário , edição de 2014.             Fazer o strip-tease da alma, arriscando-se nos meandros mais obscuros da linguagem para afirmar sua individualidade em um mundo polivalente e triturador de ilusões, é a tônica das gerações que sucederam a Ferreira Gullar e a poesia marginal. As palavras são muitas vezes condutoras de alta voltagem, não raro o sujeito é vítima de choques, baques, cort...

UM OLHAR SOBRE A CIDADE

  Pico da Ana Moura, Timóteo, MG          A primavera aconteceu este ano, ao contrário dos dois anos anteriores, quando o inverno se transmudou rapidamente em verão. Temos chuvas desde o final de setembro e a natureza tropical está revigorada, exibindo seus melhores tons de verde e amarelo, matizados com florações brancas, roxas, laranjas e vermelhas. Há muita vegetação dentro da cidade, que tem a sorte de estar localizada entre vales, numa região onde a cobertura vegetal deve ser mantida para contrabalançar a poluição produzida pela indústria siderúrgica.          Em Timóteo, há praças, corredores verdes, um lindo parque na montanha (Pico da Ana Moura) e uma mata urbana (o Oikós),  que garantem à cidade uma boa qualidade do ar e uma humidade atmosférica que nunca fica comprometida, mesmo durante os meses mais secos do inverno. A diferença é notória quando se compara a situação do municí...