Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Mulher

O BOTÃO

(Foto: carrodebolso.com.br)              As estatísticas mostram que as mulheres dirigem melhor do que os homens. O problema é que, enquanto o homem considera o carro um membro da família, com suas peculiaridades (lonas de freio, óleo do cárter), a mulher só se importa em virar a chave e pegar a rua. Até que, um dia, alguma coisa acontece e então ela é obrigada a descobrir que a tal da rebimboca da parafuseta realmente existe.             Assim como a junta homocinética, uma peça do carro que fica entre a roda e o eixo, transmitindo o giro do motor (cinética) para as rodas. Quando ela se desgasta, de duas uma: ou é por exaustão ou então é porque a suspensão está comprometida. O jeito é verificar tudo, o que é fácil: o mecânico suspende o carro com o uso do elevador e testa as buchas, pivôs, amortecedores e rolamentos. O que sacudir ou fizer barulho, fired! , está despedido.  ...

UM POEMA DE FRANCE GRIPP

            France Gripp é uma professora e poeta natural de Governador Valadares, no leste de Minas Gerais. Seu primeiro livro foi a coletânea Eu Que me Destilo , lançada em 1994, na qual o gosto da autora pelo verso apaixonado e “côncavo”, quase barroco não fosse pós-moderno, se evidencia.  Depois de uma incursão pela literatura infanto-juvenil que lhe rendeu dois livros, eis que Francirene (seu nome de batismo) retorna à sua praia natural, a poesia, com outra coletânea, Coração Incendiário , edição de 2014.             Fazer o strip-tease da alma, arriscando-se nos meandros mais obscuros da linguagem para afirmar sua individualidade em um mundo polivalente e triturador de ilusões, é a tônica das gerações que sucederam a Ferreira Gullar e a poesia marginal. As palavras são muitas vezes condutoras de alta voltagem, não raro o sujeito é vítima de choques, baques, cort...

O DESEJO É UMA LEGGING PRETA

                      Foi-se o tempo em que o desejo desfilava por aí em jeans justíssimos! Ele agora bate pernas é de legging, uma peça simples, básica e disputada. Como pode ser?             A roupa foi inventada para proteger, lá no tempo das cavernas, quando não passava de peles grosseiras e embiras para mantê-las no lugar. Mas a civilização foi inventada e a arte de ocultar e revelar em igual proporção não tardou a aparecer. Se, para o homem, o caráter prático predomina, para a mulher há muito mais coisa em jogo. A vestimenta tornou-se um meio de sujeitá-la, de impedir seus movimentos livres, de enquadrá-la de um modo ou de outro. Neste quesito, a parte de baixo tem uma história reveladora: a calça comprida para o homem existe desde a Idade Média, mas só no fim do século XIX ela foi admitida, de forma restrita, para as mulheres, com o nome de "culotte". E só se popularizou depois da Segunda...

MULHER, DE QUEM É ESSE CORPO?

        O corpo seccionado - cada parte tem o seu valor.             “E até as mulheres ditas escravas, já não querem servir mais” , dizia Raulzito na canção Novo Aeon. Mas, o que ironiza Raul Seixas, afinal? O desejo masculino por uma amante solícita, ou, ao contrário, a impotência masculina diante dos avanços da mulher? Porque quando a mulher avança e conquista espaços, ela o faz movendo as instituições do mundo masculino, que sempre buscou, através da história, dominá-la e submetê-la. E dominar a mulher é sobretudo possuir seu corpo - corpo cuja beleza inspira o homem mais do que qualquer coisa e cuja feiúra desperta nele o mais rasgado desdém.             Pastores, artistas, médicos, legisladores, todos querem apreender o corpo da mulher, aprisioná-lo, regulá-lo, enfim, possui-lo de algum modo. E a mulher vem cumprindo este papel ao...