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Mostrando postagens de 2026

CHICKEN OUT

                                  Se a vida fosse alegre, não procuraríamos diversão. A ponto de estarmos imersos numa verdadeira sociedade da diversão, por culpa da vida, que é uma chatice sem fim; a política, a economia, os vizinhos e assim por diante. Gastamos a maior grana com cruzeiros e games, fazemos bungee-jump, parcour e wingsuit e pagamos para fazer parte de grupos cujo objetivo é construir amizades, coisa que era grátis até bem pouco tempo. Se parássemos de nos divertir e colocássemos o dinheiro na poupança, ficaríamos ricos – se não morrêssemos de tédio antes.          As eleições brasileiras de 2026 vieram para nos sacar da mesmice, embora nada levasse a suspeitar de início que elas pudessem acabar em comédia pastelão, graças ao talento cômico de um candidato, conhecido como 01. 01 imita o pai como ninguém, xinga, diz palavrõ...

VIVA LULA!

  Another one bites the dust! QUEEN            Mais um Bolsonaro beija a lona, a cópia do outro, o escroto representante da extrema direita com verniz de conservadorismo cristão agora está no chão, latindo com sua matilha, enquanto a caravana de Lula passa. Uma caravana de gente bonita e feliz, que preza a liberdade, a democracia e a soberania e que não arrega para Tio Sam e seus micos, agora espalhados por toda a América Latina. Lula representa o Brasil tal qual ele é: multirracial, multicultural e valente, um Brasil com a cara do Nordeste, que, mais uma vez, mostrou o caminho às demais regiões brasileiras. Se hoje os intelectuais, os estudantes, as mulheres e as minorias espalhadas por todo o nosso território estão comemorando é por causa da fibra inquebrável de nossos irmãos do Norte. Lula não poderia ter vindo de outro lugar.          A vitória de Lula, por tudo o que está em jogo atual...

ENSAIO SOBRE A SURDEZ

                     E nas mensagens Que nos chegam sem parar Ninguém, ninguém pode notar Estão muito ocupados pra pensar SOS, Raul Seixas                Mantive-me afastado da campanha política até o debate de ontem, 18 de outubro de 2026. Deus me livre do horário eleitoral, dos vídeos fakes do Youtube, das redes sociais que repetem ad nauseam os mesmos discursos vazios e dos ignorantes que de repetente se tornaram sabichões. Nesse nível não dá para respirar, precisamos nos manter acima da linha da água, ou seja, um pouco de racionalidade e decência, se consideramos que compartilhamos (ainda) o mesmo país e, por extenso, o mesmo mundo e que teremos que nos tolerar, quer queiramos quer não, até o fim de nossas vidas.          Debate político nunca foi exemplo de ponderação e sabedoria, muito pelo ...

CAOS

                 O bom observador das merrecas do dia a dia é capaz de transformar qualquer entrevero informal em uma sopa grossa, que dá para muitos. Ao abandonar o volante, por conta das dores daqui e dacolá, eu não sabia que estava ganhando duas vantagens extra, que não canso de alardear: abandonei a manutenção do maldito carro, as oficinas, os impostos e os engarrafamentos e me tornei um passageiro de luxo, um papagaio de ventríloquo, que fala pelos cotovelos e dá bom dia a cavalo só pra fazer graça. Assim é a língua solta do baiano em mim que não tenho como negar. Tornei-me prudente, mas não menos tagarela, dou tchau pros cachorros e chamo os gatos de bichanos.          Cada viagem é uma conversa: futebol, trânsito, moradores de rua. Já ensinei como se diz “eu te amo” em francês dezenas de vezes, reclamei do aquecimento global, lamentei a derrota do time do motorista, discursei contra os corru...

NO SAL

                      Saiu No Sal. Desta vez, Abrão Brito Lacerda, como observador da natureza humana que é – esteja ela nos objetos - melões, violões, whiskies, cogumelos, filmes B - nos animais – gatos, coelhos, pássaros -, na mamãe natureza, em localidades como Matutina e Milho Verde ou em temas como a velhice e, pasmem, até mesmo nos humanos, nos premia com um conjunto de histórias marcantes. O monge budista que nele habita inventa de refletir e lançar luz sobre temáticas variadas nos trinta e três textos deste seu novo livro, onde combina humor, realismo e poesia.             Com esse senso de quem filosofa sentindo e escreve como quem não quer ensinar - mas quer porque não é bobo -, ele nos surpreende. Prepare senso e sensibilidade para sofisticações que não são novidade na obra desse autor que transmuta a narratividade a cada novo livro. No estreante Vento Sul, usou de um narrador...