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PEQUENO GLOSSÁRIO DE PALAVRAS DEFUNTAS OU ESQUECIDAS

  (Imagem da Web)                                          As palavras têm cor, peso e sabor. Têm também suas histórias. Mas, em um universo de milhares de palavrinhas ou palavrões, das preposições aos substantivos, passando pelos advérbios e os verbos pretéritos, não nos damos conta da vida que pulsa por trás de cada uma. Elas surgem e desaparecem, alimentam os livros e as ilusões e dão estofo aos dicionários. Ainda que tivéssemos uma memória organizada como uma planilha excel, un hard disk ou um app, um glossário de impressões afetivas, não bastaria. É preciso ainda inventar e reinventar, como o substantivo “idioteza” que invento agora para designar a mistura de idiotice com esperteza.              Que as palavras vivam como testemunhos de uma época, respirem o ar da atualidade e não se transfo...

CRETINOS!

           There’s no stopping the cretins from hopping, não há mesmo, nem que o vinil fure de tanto tocar aquele rock dos Ramones. Esses debilóides vão pular a noite inteira. A OPEP e o petróleo, a guerra do Vietnam e a ditadura, a caça às bruxas, os proletários e os intelectuais se radicalizando, os jornais falando de pós-Napalm e AI-5, explosões e fugas, você só ficará sabendo dias ou semanas depois. E,  fais gaffe, meu amigo, os cretinos estão espreitando por toda parte pra te dedurar.             O que pode um pobre rapaz fazer? Aprender a viver com pouquíssimo, um par de jeans, t-shirt, tênis, mais uma jaqueta de couro pra quem mora no frio de Nova Iorque. O mundo é gris e melancólico, meio hippie, meio anti qualquer coisa, buzu, metrô e longas, longuíssimas jornadas a pé, se cruzar com milicos no caminho, não os encare pra não levar cana. Take a walk in the wild sid...

EU TOMO ALEGRIA!

(Foto: Estado de Minas) Uns tomam éter, outros cocaína. Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.       (Manuel Bandeira, Não sei dançar )             Há muito tempo BH não via uma festa assim, há uma geração pelo menos. Tomar as ruas, praças e avenidas, reconvertê-las em espaços de encontro e convivialidade representa uma verdadeira revolução em uma cidade que foi obrigada a conviver com os congestionamentos e a insegurança – e a reclamar deles, como se se tratasse de uma praga irreversível. E eis que, de repente, mas não por acaso, os bhzontinos se descobrem semelhantes e cooperativos ao invés de individualistas e competitivos, e descem às ruas para o carnaval, transformando a cidade em um grande salão de festa para todas as idades.             A popularização do carnaval de rua de Belo Horizonte é uma realidade. Boa organização e inf...

MINHA CASA, MEU ENTULHO

            A sujeira está em toda parte. Em Brasília, onde a lama ultrapassou o nível das torres gêmeas do congresso, toma-se banho de fedência e dança-se ao ritmo da podridão. O gosto nacional pelo lixo é tamanho que, ao se construir um prédio, é criado simultaneamente o entulho que acolhe os restos da construção: concreto, papel, plástico, metal, além dos rejeitos líquidos e sólidos dos humanos.             Somos um exemplo civilizatório a ser combatido de um povo que limpa a casa para sujar a rua - e não sente nenhum constrangimento por isso. E, longe de se tratar de um comportamento de determinada classe, é uma verdadeira epidemia, como a dengue, a febre amarela e o Big Brother.             Com o objetivo de dar minha modesta contribuição às avessas a essa falta de vergonha geral, apresento a seguir o estado da...

NA TERRA DA FANTASIA COM IARA ALVES

            Iara Cardoso Alves de Belo Horizonte é uma “veterana” no campo da literatura infantil com mais de uma dúzia de títulos publicados, cobrindo leitores da primeira infância até o infanto-juvenil.             Imaginação abundante e “loufoque”, com coisas e situações fora do lugar, se organizando na forma de um bric-à-brac, constituem o fio narrativo. As histórias terminam mas deixam sempre a impressão de que poderiam continuar.             O jeito loufoque permite a Iara se colocar facilmente na pele de uma criança ou de um animal e imaginar traquinagens à beça. A rainha Victória, do livro homônimo, adora aprontar a zorra em seu próprio castelo, onde todos, a começar pela própria rainha, além do príncipe Boulevard, do Conde Ferdinando e da princesinha Tainah são malucos a valer:    ...

HOME IS A QUIET PLACE

                           Além dos acidentes naturais, como oceanos, selvas e geleiras, o mundo está cheio de barreiras humanas que nos impedem de ir aonde nos der na telha.   O homo sapiens, assim como seu primo pobre, o homem de neadertal, não teria ido tão longe hoje quanto no longínquo passado. No entanto, mudar,  experimentar um pouco da liberdade que indígenas, beduínos e ciganos transformaram em um estilo de vida constitui uma  das melhores coisas da vida.             M esmo em um quarto de hotel buscamos  reconstituir um ambiente, uma a tmosfera, um lar  - a quiet place.  © Abrão Brito Lacerda 22 01 17