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NA TERRA DA FANTASIA COM IARA ALVES

            Iara Cardoso Alves de Belo Horizonte é uma “veterana” no campo da literatura infantil com mais de uma dúzia de títulos publicados, cobrindo leitores da primeira infância até o infanto-juvenil.             Imaginação abundante e “loufoque”, com coisas e situações fora do lugar, se organizando na forma de um bric-à-brac, constituem o fio narrativo. As histórias terminam mas deixam sempre a impressão de que poderiam continuar.             O jeito loufoque permite a Iara se colocar facilmente na pele de uma criança ou de um animal e imaginar traquinagens à beça. A rainha Victória, do livro homônimo, adora aprontar a zorra em seu próprio castelo, onde todos, a começar pela própria rainha, além do príncipe Boulevard, do Conde Ferdinando e da princesinha Tainah são malucos a valer:    ...

HOME IS A QUIET PLACE

                           Além dos acidentes naturais, como oceanos, selvas e geleiras, o mundo está cheio de barreiras humanas que nos impedem de ir aonde nos der na telha.   O homo sapiens, assim como seu primo pobre, o homem de neadertal, não teria ido tão longe hoje quanto no longínquo passado. No entanto, mudar,  experimentar um pouco da liberdade que indígenas, beduínos e ciganos transformaram em um estilo de vida constitui uma  das melhores coisas da vida.             M esmo em um quarto de hotel buscamos  reconstituir um ambiente, uma a tmosfera, um lar  - a quiet place.  © Abrão Brito Lacerda 22 01 17

O BOTÃO

(Foto: carrodebolso.com.br)              As estatísticas mostram que as mulheres dirigem melhor do que os homens. O problema é que, enquanto o homem considera o carro um membro da família, com suas peculiaridades (lonas de freio, óleo do cárter), a mulher só se importa em virar a chave e pegar a rua. Até que, um dia, alguma coisa acontece e então ela é obrigada a descobrir que a tal da rebimboca da parafuseta realmente existe.             Assim como a junta homocinética, uma peça do carro que fica entre a roda e o eixo, transmitindo o giro do motor (cinética) para as rodas. Quando ela se desgasta, de duas uma: ou é por exaustão ou então é porque a suspensão está comprometida. O jeito é verificar tudo, o que é fácil: o mecânico suspende o carro com o uso do elevador e testa as buchas, pivôs, amortecedores e rolamentos. O que sacudir ou fizer barulho, fired! , está despedido.  ...

UM POEMA DE FRANCE GRIPP

            France Gripp é uma professora e poeta natural de Governador Valadares, no leste de Minas Gerais. Seu primeiro livro foi a coletânea Eu Que me Destilo , lançada em 1994, na qual o gosto da autora pelo verso apaixonado e “côncavo”, quase barroco não fosse pós-moderno, se evidencia.  Depois de uma incursão pela literatura infanto-juvenil que lhe rendeu dois livros, eis que Francirene (seu nome de batismo) retorna à sua praia natural, a poesia, com outra coletânea, Coração Incendiário , edição de 2014.             Fazer o strip-tease da alma, arriscando-se nos meandros mais obscuros da linguagem para afirmar sua individualidade em um mundo polivalente e triturador de ilusões, é a tônica das gerações que sucederam a Ferreira Gullar e a poesia marginal. As palavras são muitas vezes condutoras de alta voltagem, não raro o sujeito é vítima de choques, baques, cort...

UM OLHAR SOBRE A CIDADE

  Pico da Ana Moura, Timóteo, MG          A primavera aconteceu este ano, ao contrário dos dois anos anteriores, quando o inverno se transmudou rapidamente em verão. Temos chuvas desde o final de setembro e a natureza tropical está revigorada, exibindo seus melhores tons de verde e amarelo, matizados com florações brancas, roxas, laranjas e vermelhas. Há muita vegetação dentro da cidade, que tem a sorte de estar localizada entre vales, numa região onde a cobertura vegetal deve ser mantida para contrabalançar a poluição produzida pela indústria siderúrgica.          Em Timóteo, há praças, corredores verdes, um lindo parque na montanha (Pico da Ana Moura) e uma mata urbana (o Oikós),  que garantem à cidade uma boa qualidade do ar e uma humidade atmosférica que nunca fica comprometida, mesmo durante os meses mais secos do inverno. A diferença é notória quando se compara a situação do municí...

WALK IN, WALK OUT

The "jungle" I walk past in my daily commute.             As I engage in my 5-minute walk back home, countless thoughts flourish amid fears of a shrinking end-of-month budget.  The light rain that falls this evening brings the gentle music one needs to feel happy or sorrow. Umbrella up, leaps down the watered street, my body reflects on the asphalt mirror like a character from a noir movie: Humphrey Bogart  or so, it only lacks the red-lip lady looking sneakily from a side porch.  Life’s a movie then, you play your part, sad or thrilling, giving up on a happy ending.             Hiking’s cheap, flying’s much better. So many places to see, you can’t help remembering that song, “So far away from me”. The year was 1979, maybe a little earlier, people rallied on the streets for democracy, there were still militaries everywhere, overseeing us, lecturing us o...