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CASTELO DA BEIRA

Dez horas da manhã, Rua Castelo da Beira, número 717, apartamento 404, como nos velhos tempos, uma trip incidental pela cidade. Não queremos rush para chegar lá,   queremos curtir um dia de sol através da janela de um ônibus. No coletivo azul como o mar de mármara, há muitos lugares, nos pontos seguintes todos os assentos serão ocupados. Entramos no coletivo em perfeita ordem, indistintos “ commuters ”, escolhemos nossos lugares e sentamo-nos. Nenhum passageiro parece ter pressa além da habitual; são todos traquejados no ritmo das ruas da capital...   Um chato sobe no ponto seguinte e começa a distribuir cartelinhas vermelhas acondicionadas em um plástico ordinário – faço um gesto de recusa quando ele me estende um pacotinho com mão grassa. Meu amigo toma a cartela com um gesto mecânico e coloca-a sobre o assento, o que é repetido pelos demais passageiros. Aí o chato abre a matraca e desata a falar. Lá se vai a ordem e o respeito ao ouvido alheio. “Bom dia, meu nom...

DE PERFUMES E ASNEIRAS

Falemos então de dois grandes poetas brasileiros. Manuel Bandeira, um dos meus favoritos, sobre o qual não me canso de refletir (ver minha postagem de 2 de setembro de 2012: “A Melancolia de Manuel Bandeira") e Castro Alves, um poeta relegado aos compêndios de literatura brasileira e mais conhecido pelo nome que emprestou a ruas e praças. Ao pensarmos em Castro Alves, pensamos no século XIX, um período histórico ignorado pela maioria e considerado chatíssimo pelos estudantes, que são martelados com aqueles textos românticos, onde o beijo acontece na página 50 e o casamento só lá pela 200. Culpa dos manuais de literatura.   Mas não estamos aqui para chatice, então vamos ao fato. Bacanal é o poema de abertura do segundo livro de Manuel Bandeira, intitulado Carnaval, publicado em 1919 e um dos precursores do movimento Modernista: BACANAL Quero beber! Cantar asneiras No esto brutal das bebedeiras Que tudo emborca e faz em caco... Evoé Baco! Lá se me parte...

MULHER, DE QUEM É ESSE CORPO?

        O corpo seccionado - cada parte tem o seu valor.             “E até as mulheres ditas escravas, já não querem servir mais” , dizia Raulzito na canção Novo Aeon. Mas, o que ironiza Raul Seixas, afinal? O desejo masculino por uma amante solícita, ou, ao contrário, a impotência masculina diante dos avanços da mulher? Porque quando a mulher avança e conquista espaços, ela o faz movendo as instituições do mundo masculino, que sempre buscou, através da história, dominá-la e submetê-la. E dominar a mulher é sobretudo possuir seu corpo - corpo cuja beleza inspira o homem mais do que qualquer coisa e cuja feiúra desperta nele o mais rasgado desdém.             Pastores, artistas, médicos, legisladores, todos querem apreender o corpo da mulher, aprisioná-lo, regulá-lo, enfim, possui-lo de algum modo. E a mulher vem cumprindo este papel ao...

NOVA VIÇOSA, BAHIA

         Em tempo de férias e viagens, nada como visitar um lugar aprazível para quebrar a rotina, combater o estresse e recompor as energias através do contato direto com a natureza. Caminhada matinal, próximo à foz do rio Peruípe. Nova Viçosa é um popular destino turístico de verão, sobretudo entre mineiros, goianos, brasilienses e capixabas, além de baianos. Localizada no extremo-sul da Bahia, a cidade é de fácil acesso e agradável, tanto de dia, quando está vazia por conta da praia, quanto à noite, quando a parte central se transforma em um alegre e colorido bazar. Na chegada, o negócio do turismo, com inúmeras pousadas e hotéis, situados ao longo da rodovia. À medida que penetramos em seu interior, até as margens do rio Peruípe, damos conta da cidade de pescadores, com suas ruas estreitas e casas pequenas. Cidade "antiga" à noite, onde se podem encontrar simpáticos restaurantes. A grande atração de Nova ...